terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

NATURALISMO

 
"Paisagem com álamos" - Theodore Rousseau

NATURALISMO

Tendência das artes plásticas, da literatura e do teatro surgida na França na segunda metade do século XIX. 
Manifesta-se também em outros países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. 
Baseia-se na filosofia de que só as leis da natureza são válidas para explicar o mundo e de que o homem está sujeito a um inevitável condicionamento biológico e social. 
As obras retratam a realidade de forma ainda mais objetiva e fiel do que no realismo. 
Por isso, o naturalismo é considerado uma radicalização desse movimento. 
Nas artes plásticas não tem o engajamento ideológico do realismo, mas na literatura e no teatro mantém a preocupação com os problemas sociais.Influenciados pelo positivismo e pela Teoria de Evolução das Espécies, os naturalistas apresentam a realidade com rigor quase científico. 
Objetividade, imparcialidade, materialismo e determinismo são as bases de sua visão de mundo. 
Características do naturalismo existem na França desde 1840, mas é em 1880 que o escritor Émile Zola (1840-1902) reúne os princípios da tendência em seu livro de ensaios O Romance Experimenta. 

Artes plásticas 
A pintura dedica-se a retratar fielmente paisagens urbanas e suburbanas, nas quais os personagens são pessoas comuns. 
O artista pinta o mundo como o vê, sem as idealizações e distorções feitas pelo realismo para expor posições ideológicas. 
As obras competem com a fotografia.
Em meados do século XIX, o grande interesse por paisagens naturais leva um grupo de artistas a se reunir em Barbizon, na França, para pintar ao ar livre, uma inovação na época. 
Mais tarde essa prática será adotada pelo impressionismo. 
Um dos principais artistas do grupo é Théodore Rousseau (1812-1867), autor de Uma Alameda na Floresta de L'Isle-Adam. Outro nome importante é Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875). 
O francês Édouard Manet (1832-1883) é um nome fundamental do período, fazendo a ponte do realismo e do naturalismo para um novo tipo de pintura que levará ao impressionismo. 
Ele retrata a realidade urbana sem muito da carga ideológica do realismo. 
Influencia os impressionistas, assim como é por eles influenciado. Fora da França destaca-se o inglês John Constable (1776-1837).

Literatura  
A linguagem dos romances é coloquial, simples e 
direta. Muitas vezes, para descrever vícios e mazelas humanos, usam-se expressões vulgares. 
Temas do cotidiano urbano, como crimes, miséria e intrigas, são usuais. 
Os personagens são tipificados: o adúltero, o louco, o pobre.
A descrição predomina sobre a narração, de tal modo que se considera que os autores, em vez de narrar acontecimentos, os descrevem em detalhes. 
Acontecimentos e emoções ficam em segundo plano. 
O expoente é Émile Zola, autor de Nana e Germinal. 
Também são naturalistas os irmãos Goncourt, de Germinie Lacerteux.

Teatro  
As principais peças são baseadas em textos de Zola, como Thérèse Raquin, Germinal e A Terra. 
A encenação deste último constitui a primeira tentativa de criar um cenário tão realista quanto o texto. 
Na época, o principal diretor de peças naturalistas na França é André Antoine (1858-1943), que põe em cena animais vivos e simula um pequeno riacho.
Outro autor importante do período, o francês Henri Becque (1837-1893), aplica os princípios naturalistas à comédia de boulevard, que ganha caráter amargo e ácido. 
Suas principais peças são A Parisiense e Os Abutres. 
Também se destaca o sueco August Strindberg (1849-1912), autor de Senhorita Júlia.

NATURALISMO NO BRASIL 
No país, a tendência manifesta-se nas artes plásticas e na literatura.
 Não há produção de textos para teatro, que se limita a encenar peças francesas.
Nas artes plásticas está presente na produção dos artistas paisagistas do chamado Grupo Grimm.
 Seu líder é o alemão George Grimm (1846-1887), professor da Academia Imperial de Belas-Artes. 
Em 1884, ele rompe com a instituição, que segue as regras das academias de arte e rejeita a prática de pintar a natureza ao ar livre, sem seguir modelos europeus. 
Funda, então, o Grupo Grimm em Niterói (RJ). 
Entre seus alunos se destaca Antonio Parreiras (1860-1945).
 Outro naturalista importante é João Batista da Costa (1865-1926), que tenta captar com objetividade a luz e as cores da paisagem brasileira.
Na literatura, em geral não há fronteiras nítidas entre textos naturalistas e realistas. 
No entanto, o romance O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo (1857-1913), é considerado o marco inicial do naturalismo no país. Trata-se da história de um homem culto, mulato, que vive o preconceito racial ao se envolver com uma mulher branca. 
 Outras obras classificadas como naturalistas são O Ateneu, de Raul Pompéia (1863-1895), e A Carne, de Júlio Ribeiro (1845-1890). 
A tendência está na base do regionalismo, que, nascido no romantismo, se consolida na literatura brasileira no fim do século XIX e existe até hoje.


 

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

NATURALISMO

 
"Paisagem com álamos" - Theodore Rousseau

NATURALISMO

Tendência das artes plásticas, da literatura e do teatro surgida na França na segunda metade do século XIX. 
Manifesta-se também em outros países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. 
Baseia-se na filosofia de que só as leis da natureza são válidas para explicar o mundo e de que o homem está sujeito a um inevitável condicionamento biológico e social. 
As obras retratam a realidade de forma ainda mais objetiva e fiel do que no realismo. 
Por isso, o naturalismo é considerado uma radicalização desse movimento. 
Nas artes plásticas não tem o engajamento ideológico do realismo, mas na literatura e no teatro mantém a preocupação com os problemas sociais.Influenciados pelo positivismo e pela Teoria de Evolução das Espécies, os naturalistas apresentam a realidade com rigor quase científico. 
Objetividade, imparcialidade, materialismo e determinismo são as bases de sua visão de mundo. 
Características do naturalismo existem na França desde 1840, mas é em 1880 que o escritor Émile Zola (1840-1902) reúne os princípios da tendência em seu livro de ensaios O Romance Experimenta. 

Artes plásticas 
A pintura dedica-se a retratar fielmente paisagens urbanas e suburbanas, nas quais os personagens são pessoas comuns. 
O artista pinta o mundo como o vê, sem as idealizações e distorções feitas pelo realismo para expor posições ideológicas. 
As obras competem com a fotografia.
Em meados do século XIX, o grande interesse por paisagens naturais leva um grupo de artistas a se reunir em Barbizon, na França, para pintar ao ar livre, uma inovação na época. 
Mais tarde essa prática será adotada pelo impressionismo. 
Um dos principais artistas do grupo é Théodore Rousseau (1812-1867), autor de Uma Alameda na Floresta de L'Isle-Adam. Outro nome importante é Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875). 
O francês Édouard Manet (1832-1883) é um nome fundamental do período, fazendo a ponte do realismo e do naturalismo para um novo tipo de pintura que levará ao impressionismo. 
Ele retrata a realidade urbana sem muito da carga ideológica do realismo. 
Influencia os impressionistas, assim como é por eles influenciado. Fora da França destaca-se o inglês John Constable (1776-1837).

Literatura  
A linguagem dos romances é coloquial, simples e 
direta. Muitas vezes, para descrever vícios e mazelas humanos, usam-se expressões vulgares. 
Temas do cotidiano urbano, como crimes, miséria e intrigas, são usuais. 
Os personagens são tipificados: o adúltero, o louco, o pobre.
A descrição predomina sobre a narração, de tal modo que se considera que os autores, em vez de narrar acontecimentos, os descrevem em detalhes. 
Acontecimentos e emoções ficam em segundo plano. 
O expoente é Émile Zola, autor de Nana e Germinal. 
Também são naturalistas os irmãos Goncourt, de Germinie Lacerteux.

Teatro  
As principais peças são baseadas em textos de Zola, como Thérèse Raquin, Germinal e A Terra. 
A encenação deste último constitui a primeira tentativa de criar um cenário tão realista quanto o texto. 
Na época, o principal diretor de peças naturalistas na França é André Antoine (1858-1943), que põe em cena animais vivos e simula um pequeno riacho.
Outro autor importante do período, o francês Henri Becque (1837-1893), aplica os princípios naturalistas à comédia de boulevard, que ganha caráter amargo e ácido. 
Suas principais peças são A Parisiense e Os Abutres. 
Também se destaca o sueco August Strindberg (1849-1912), autor de Senhorita Júlia.

NATURALISMO NO BRASIL 
No país, a tendência manifesta-se nas artes plásticas e na literatura.
 Não há produção de textos para teatro, que se limita a encenar peças francesas.
Nas artes plásticas está presente na produção dos artistas paisagistas do chamado Grupo Grimm.
 Seu líder é o alemão George Grimm (1846-1887), professor da Academia Imperial de Belas-Artes. 
Em 1884, ele rompe com a instituição, que segue as regras das academias de arte e rejeita a prática de pintar a natureza ao ar livre, sem seguir modelos europeus. 
Funda, então, o Grupo Grimm em Niterói (RJ). 
Entre seus alunos se destaca Antonio Parreiras (1860-1945).
 Outro naturalista importante é João Batista da Costa (1865-1926), que tenta captar com objetividade a luz e as cores da paisagem brasileira.
Na literatura, em geral não há fronteiras nítidas entre textos naturalistas e realistas. 
No entanto, o romance O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo (1857-1913), é considerado o marco inicial do naturalismo no país. Trata-se da história de um homem culto, mulato, que vive o preconceito racial ao se envolver com uma mulher branca. 
 Outras obras classificadas como naturalistas são O Ateneu, de Raul Pompéia (1863-1895), e A Carne, de Júlio Ribeiro (1845-1890). 
A tendência está na base do regionalismo, que, nascido no romantismo, se consolida na literatura brasileira no fim do século XIX e existe até hoje.


 

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