terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Caipira picando fumo, Almeida Júnior - interpretação

Caipira picando fumo, Almeida Júnior

Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 202 x 141 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil


A composição denominada Caipira Picando Fumo é uma das obras marcantes do pintor brasileiro Almeida Júnior, que, segundo alguns, foi o responsável por introduzir, pela primeira vez, o homem brasileiro na pintura. Em razão disso, sua obra está repleta de tipos que nos são bastante comuns.
O caipira é a única figura humana a fazer parte do quadro. Ele é um homem de meia idade, forte, de rosto marcado pela dureza da vida, que usa uma camisa branca de mangas compridas que vão até o punho, com uma abertura em forma de V no peito, e uma calça amarronzada, gasta, com a barra dobrada quase no meio da perna. Chama a atenção a parte visível da ceroula, comum àquela época, ultrapassando a perna esquerda da calça.
O homem encontra-se calmamente sentando sobre toras, em frente ao paiol feito de taipa, absorto, picando seu pedaço de fumo com uma enorme faca, em diagonal, usada para os mais diferentes serviços. Ele já preparou a palha de milho, que se encontra atrás de sua orelha esquerda, para receber o fumo picado. No chão, em volta dele, é possível ver um monte de palhas espalhadas.
O pintor destaca com grande realismo as mãos ásperas e os pés toscos do caipira, com as unhas sujas de barro, assim como a calça, assinalando a vida dura que leva no trato com a terra. Atrás dele vê-se uma porta entreaberta, sombreada, e, à frente, uma árvore reflete sua sombra no chão. Parece ser este um momento de grande prazer para o homem da terra, tipo popular em Itu, apelidado de “Quatro Paus”.

"O sol é o grande personagem deste "Caipira picando fumo". O homem que se ajeita meio a gosto na porta da casa pode até conviver bem com ele. Mas não está a sua altura. O cismar que o protege também o impede de agir e o que domina o quadro é a exterioridade majestosa da luz e do calor que parecem apenas tolerar a presença daquilo que ainda não foi reduzido a eles. Essa ênfase no meio natural põe esta obra de Almeida Júnior em contato com uma série de manifestações culturais daquele período que ajudarão a compreender melhor a extensão e o significado dessa tela e, talvez, da parte mais significativa da produção do pintor. Será necessário portanto um pequeno desvio antes de voltarmos à pintura de Almeida Júnior."(Rodrigo Naves  Professor e crítico de arte)


Esta obra ficou conhecida pela contribuição regionalista da pintura brasileira e por incentivar um rompimento (ao menos na temática) dos argumentos europeus reconhecidos pelo pintor ituano.A pintura do "Caipira picando fumo" nos dá possibilidade de percebermos a relação homem- terra . Podemos perceber também   dados realistas na obra, como a intensidade do sol que parece querer incomodar aos críticos de pele europeia demais. A obra chama a atenção não só para o estudo dos costumes, mas, sobretudo para a questão natural da existência do caboclo nas terras do interior paulista.

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Caipira picando fumo, Almeida Júnior - interpretação

Caipira picando fumo, Almeida Júnior

Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 202 x 141 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil


A composição denominada Caipira Picando Fumo é uma das obras marcantes do pintor brasileiro Almeida Júnior, que, segundo alguns, foi o responsável por introduzir, pela primeira vez, o homem brasileiro na pintura. Em razão disso, sua obra está repleta de tipos que nos são bastante comuns.
O caipira é a única figura humana a fazer parte do quadro. Ele é um homem de meia idade, forte, de rosto marcado pela dureza da vida, que usa uma camisa branca de mangas compridas que vão até o punho, com uma abertura em forma de V no peito, e uma calça amarronzada, gasta, com a barra dobrada quase no meio da perna. Chama a atenção a parte visível da ceroula, comum àquela época, ultrapassando a perna esquerda da calça.
O homem encontra-se calmamente sentando sobre toras, em frente ao paiol feito de taipa, absorto, picando seu pedaço de fumo com uma enorme faca, em diagonal, usada para os mais diferentes serviços. Ele já preparou a palha de milho, que se encontra atrás de sua orelha esquerda, para receber o fumo picado. No chão, em volta dele, é possível ver um monte de palhas espalhadas.
O pintor destaca com grande realismo as mãos ásperas e os pés toscos do caipira, com as unhas sujas de barro, assim como a calça, assinalando a vida dura que leva no trato com a terra. Atrás dele vê-se uma porta entreaberta, sombreada, e, à frente, uma árvore reflete sua sombra no chão. Parece ser este um momento de grande prazer para o homem da terra, tipo popular em Itu, apelidado de “Quatro Paus”.

"O sol é o grande personagem deste "Caipira picando fumo". O homem que se ajeita meio a gosto na porta da casa pode até conviver bem com ele. Mas não está a sua altura. O cismar que o protege também o impede de agir e o que domina o quadro é a exterioridade majestosa da luz e do calor que parecem apenas tolerar a presença daquilo que ainda não foi reduzido a eles. Essa ênfase no meio natural põe esta obra de Almeida Júnior em contato com uma série de manifestações culturais daquele período que ajudarão a compreender melhor a extensão e o significado dessa tela e, talvez, da parte mais significativa da produção do pintor. Será necessário portanto um pequeno desvio antes de voltarmos à pintura de Almeida Júnior."(Rodrigo Naves  Professor e crítico de arte)


Esta obra ficou conhecida pela contribuição regionalista da pintura brasileira e por incentivar um rompimento (ao menos na temática) dos argumentos europeus reconhecidos pelo pintor ituano.A pintura do "Caipira picando fumo" nos dá possibilidade de percebermos a relação homem- terra . Podemos perceber também   dados realistas na obra, como a intensidade do sol que parece querer incomodar aos críticos de pele europeia demais. A obra chama a atenção não só para o estudo dos costumes, mas, sobretudo para a questão natural da existência do caboclo nas terras do interior paulista.

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